
Hoje sei que o olhar da criança é muito diferente.
Sei que em todas as vezes que percebemos que existe alguma coisa de errado com a nossa perspectiva de que não somos os donos do mundo, mudamos, embrutecemos ou continuamos na ilusão de que ainda somos donos do mundo.
Natais memoráveis aqueles em que meu pai se vestia de Papai Noel e trazia todos os presentes. Alguns anos se passaram e hoje a figura do “bom velhinho”, já não mais possui a mágica de outrora. Descoberto pela malicia de minha idade como uma criação covarde, que se valendo do suposto espírito fraternal de Dezembro instiga o consumo nos corações inocentemente vulneráveis de todas as crianças.
Observei aqueles mosquitos que ficam voando em volta de uma lâmpada ligada. Ficam rodeando sua órbita, pois para eles ela foi feita com aquele objetivo e nada mais no mundo tem importância fora do calor produzido em sua volta.
No meu mundo fantástico onde mosquitos possuem razão, estes são limitados pela ilusão de que a lâmpada foi feita para eles. Algo parecido acontece com nós em nossas infâncias, achamos que o mundo foi feito para nós, algumas pessoas acreditam nesta afirmação a vida toda.
Toda estrada deixada para trás que podemos aproveitar, ou não, todo chão pisado por nossos pés, um dia serviu para limitar nossas ilusões. Nesta estrada muitas figuras podem surgir para nos enganar, fazendo-nos colaborar com algo que nem sabemos da existência, algo cujo significado inocente obscurece um sentido maior e nefasto.
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